Este poema é
baseado nos versos de MADELSHTÁM, preso e torturado pelos comunistas de STALIN,
e que morreu em 27 de dezembro de 1938, aos 47 anos,com as faculdades físicas e
mentais totalmente destroçadas num campo de concentração.
Trata-se de uma
re-edição moderna dos versos do poeta; versos estes que o condenaram à prisão e
À morte
Isto prova que
a TIRANIA , qualquer tirania não vence os IDEAIS sublimes do homem e seus mais
nobres anseios por liberdade e por justiça
Em homenagem a
MADELSHTÁM, escrevi o poema abaixo, que é uma forma de ressuscitar o verdadeiro
e único ESPÍRITO adormecido
em CADA homem-
DEUS, e trazer o poeta para junto de nós
Que cada
brasileiro DESPERTE o MADELSHTÁM que traz dentro de si
mesmo!
País de ferro e de
granito
Antro de dor
Festim da
miséria
e da calamidade
País assombrado
por revoada de
fantasmas
e de arlequins
escarlates
Na mão do
ditador
há sempre um
osso
À sua volta,
um bando de
bajuladores-
cãezinhos
domésticos,
curto pescoço,
rabo comprido,
doentio faro,
que disputam entre
si
um pequeno afago
Na mão do
ditador
há grão de milho
que atira no
chão
À sua volta,
meios homens,
asinha sem
função,
galinhas
poedeiras,
cacarejantes,
ciscam
e limpam os
terreiros
Na mão do
ditador
há alfafa
À sua volta,
cavalgaduras que
trotam,
raspando os
cascos
Às vezes, uma
lisonja,
e o ditador
acaricia-lhes
o lombo e a
crina,
e como resposta
:
elevam as patas e
relincham!
Na mão do
ditador
há controle
remoto
À sua volta
parasitas e
sonâmbulos-
os piores de todos os
escravos,
de todos, os mais
indignos,
realizam o dever
diário
de adulos e
mimos
na servidão
voluntária
que une a vítima
ao
próprio carrasco
Na mão do
ditador
há lágrimas
com que dá de
beber
ao seu povo
e sangue
com que tinge as
bandeiras,
as estrelas
e os rostos
humilhados
Na mão do
ditador
cabe muita gente
todos os
jornalistas
todos os juízes
todos os
generais
todo este mundo
triste
menos o poeta
porque o verdadeiro
poeta
é livre- LIVRE!
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